POLÍTICA

Economia do Reino Unido precisa de disciplina orçamentária, diz OCDE, enquanto Burnham se prepara para assumir poder

Por Suban AbdullaLONDRES, 15 Jul (Reuters) - O Reino Unido deve ?manter sua disciplina orçamentária, lidar com os altos gastos com aposentadorias e enfrentar a...

Fonte: ANTENA 1 Publicado em: 15/07/2026
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Por Suban Abdulla

LONDRES, 15 Jul (Reuters) - O Reino Unido deve ?manter sua disciplina orçamentária, lidar com os altos gastos com aposentadorias e enfrentar a alta vertiginosa dos preços da energia para acelerar sua economia, afirmou a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nesta quarta-feira, destacando os desafios para Andy Burnham, que deve assumir o cargo de primeiro-ministro na próxima semana.

A OCDE afirmou que a economia do Reino Unido se estabilizou após uma série de choques, incluindo o Brexit.

“Mas a atividade continua moderada e o conflito em evolução no Oriente Médio está colocando à prova sua resiliência”, afirmou a organização sediada em Paris em um relatório.

“Os preços elevados e voláteis da energia, as crescentes pressões fiscais, o fraco crescimento ?da produtividade ?e as grandes disparidades regionais continuam a pesar ?sobre o ?desempenho econômico e os padrões de vida.”

O ex-prefeito de Manchester, Burnham, que está prestes a substituir Keir Starmer como primeiro-ministro, prometeu manter as regras fiscais do governo. No entanto, alguns investidores temem que ele possa aumentar os gastos públicos sob pressão de setores de seu próprio Partido Trabalhista, ?de centro-esquerda.

“A disciplina fiscal continua sendo essencial, com base nas recentes melhorias no marco ?fiscal”, afirmou a OCDE. “A elevada dívida pública, os altos pagamentos de juros e as crescentes pressões sobre ?os gastos, particularmente na saúde e na assistência social, limitam ?a margem de manobra fiscal.”

A ?OCDE ?espera que a economia britânica cresça 0,9% este ano e 1,1% em 2027. As previsões foram ligeiramente mais fracas do que as publicadas na semana passada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que apontavam para um crescimento de 1% este ?ano e 1,3% no próximo ano.

A ministra das Finanças, Rachel Reeves, em resposta ao relatório da OCDE, afirmou que o Reino Unido está a caminho de registrar o crescimento mais rápido entre as grandes e ricas economias da Europa, com a inteligência artificial e melhores laços com a União Europeia contribuindo para ?a economia.

A OCDE afirmou que o Reino Unido deveria investir mais na eletrificação de sua economia para reduzir sua dependência das importações de gás, cujo preço disparou este ano devido à guerra no Irã.

“Os riscos continuam inclinados para o lado negativo, especialmente se um conflito prolongado no Oriente Médio aumentar ainda mais os preços da energia ou se a fragmentação do comércio global se intensificar”, afirmou a OCDE.

A entidade apontou que os aumentos nos gastos públicos devem ser direcionados para investimentos que aumentem a produtividade e que são necessárias reformas ?de eficiência tributária para reconstruir a margem de manobra fiscal do governo e apoiar o crescimento econômico de longo ?prazo.

O chamado “triplo bloqueio” do governo para o aumento ?das aposentadorias públicas deve ser revisto, e os incentivos ao trabalho e à poupança para a previdência privada devem ser reforçados.

A redução das disparidades regionais de produtividade é fundamental para impulsionar o crescimento, segundo ?a OCDE — uma recomendação que será bem recebida por Burnham, que se ?comprometeu a conceder maiores poderes às autoridades locais.

A ?redução das disparidades regionais ?na ?política poderia ajudar a “desbloquear todo o potencial de produtividade de todas as regiões”, afirmou a OCDE.

(Reportagem de Suban Abdulla)