Secretário-geral da ONU afirma que riscos climáticos precisam ser prioridade de ministros das Finanças
Por Simon JessopLONDRES, 24 Jun (Reuters) - ?O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou nesta quarta-feira que a adaptação às mudanças clim...
Por Simon Jessop
LONDRES, 24 Jun (Reuters) - ?O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou nesta quarta-feira que a adaptação às mudanças climáticas precisa ser tratada como uma prioridade central para os governos — e devidamente valorizada pelo sistema financeiro —, à medida que os riscos climáticos se intensificam e o déficit de financiamento se amplia.
Com secas, inundações e outros eventos climáticos extremos afetando comunidades em todo o mundo, Guterres disse a formuladores de políticas ?e ?líderes financeiros na Semana de ?Ação Climática ?de Londres que a adaptação tem sido, até agora, subvalorizada e cronicamente subfinanciada.
“Ministros das Finanças, bancos centrais, ministérios de planejamento e autoridades de investimento público precisam tratar o ?risco climático como uma política econômica fundamental, a fim de ?mobilizar mais recursos internos”, declarou ele, instando os governos a ?incorporar o risco climático em todas ?as esferas, desde ?a ?política fiscal até a regulamentação.
Para preencher essa lacuna, será necessária uma ampla combinação de ferramentas, disse Guterres, incluindo tributação sobre indústrias poluidoras, estruturas ?de financiamento misto e garantias para incentivar o investimento privado.
Ele defendeu a cobrança de impostos sobre lucros extraordinários das empresas de combustíveis fósseis, com os recursos arrecadados direcionados para a ?adaptação e para cobrir perdas e danos relacionados ao clima.
Tendo como pano de fundo a reforma dos bancos mundiais de desenvolvimento, ele afirmou que seus acionistas devem dar às instituições financeiras “muito mais poder de ação”, incluindo aumento de capital, para ampliar os empréstimos destinados a projetos de fortalecimento da resiliência.
A necessidade de maior financiamento público ?e por meio de doações é mais premente nos países em ?desenvolvimento, disse ele, que são ?os mais expostos aos impactos climáticos, mas têm a menor capacidade de se preparar.
De acordo com o Programa das Nações ?Unidas para o Meio Ambiente, esses países ?precisarão de US$310 bilhões a ?US$365 bilhões por ?ano ?até 2035, mas receberam apenas cerca de US$26 bilhões em 2023.