MÚSICA

U2 REFORÇA ESTRATÉGIA DIGITAL COM CONTRATAÇÃO DE PESO

O U2 movimentou os bastidores da indústria musical com a contratação de Sulinna Ong, ex-executiva do Spotify, para atuar como Management Partner na equipe de ge...

Fonte: ANTENA 1 Publicado em: 27/05/2026
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O U2 movimentou os bastidores da indústria musical com a contratação de Sulinna Ong, ex-executiva do Spotify, para atuar como Management Partner na equipe de gestão da banda. A função foi criada dentro da estrutura da Full Stop Management, onde Ong passa a trabalhar ao lado de Irving Azoff e Jeffrey Azoff, dois dos nomes mais influentes do mercado internacional.

Crédito da imagem: Music Business Worldwide

A chegada da executiva acontece em um momento em que artistas do porte do U2 precisam ir além da música. No ambiente digital, grandes lançamentos dependem de estratégia, curadoria, presença nas plataformas, comunicação com fãs e construção de experiências que conectem catálogo, novidades e imagem pública.

Antes de assumir o novo cargo, Sulinna Ong ocupou uma posição de liderança global no Spotify, ligada à curadoria editorial musical da plataforma. Essa experiência ajuda a explicar a escolha da banda: o U2 passa a contar com uma profissional que conhece de perto a forma como o público descobre, consome e se relaciona com música na era do streaming.

A contratação também dialoga com a história recente do grupo. Em 2014, o lançamento automático do álbum Songs of Innocence no iTunes gerou grande repercussão e se tornou um exemplo de como a distribuição digital precisa ser planejada com cuidado. Agora, o movimento aponta para uma abordagem mais precisa, profissional e conectada ao comportamento atual dos ouvintes.

O U2 vive ainda uma fase de atividade criativa. A banda lançou recentemente os EPs Days of Ash e Easter Lily e prepara um novo álbum de estúdio. Nesse contexto, a entrada de Ong sinaliza que os próximos passos do grupo devem combinar música inédita, inovação, presença digital e gestão estratégica.

Para uma banda que sempre buscou dialogar com tecnologia, grandes palcos e impacto cultural, a decisão faz sentido. A chegada de Sulinna Ong simboliza uma nova etapa na forma como o U2 pretende apresentar sua música ao mundo: com uma gestão capaz de conectar legado, criatividade e o ritmo acelerado das plataformas digitais.

O histórico de inovação do U2

A contratação de Sulinna Ong também se conecta a um traço histórico do U2. Ao longo da carreira, a banda transformou lançamentos, turnês e aparições públicas em experiências que ultrapassam o formato tradicional de shows e discos. Desde os anos 1990, o grupo usa tecnologia não apenas como recurso visual, mas como parte da linguagem artística.

1992-1993 — Zoo TV

Créditos da imagem: Frans Schellekens/Redferns/Getty

Um dos exemplos mais marcantes foi a turnê Zoo TV, realizada entre 1992 e 1993. Criada para a era de Achtung Baby, a produção levou às arenas e estádios uma estética baseada em excesso de telas, transmissões, interferências visuais e crítica à saturação da mídia.

A turnê se tornou um marco por expandir os limites da performance ao vivo e transformar o palco em uma espécie de bombardeio audiovisual, combinando música, televisão, publicidade, política e cultura pop.

1997 — PopMart Tour

Crédito da imagem: Reprodução/YouTube

Poucos anos depois, a banda voltou a testar os limites da tecnologia de palco com a PopMart Tour. A turnê de 1997 apostou em uma estética de supermercado futurista e levou aos estádios uma estrutura dominada por um painel gigante de LED.

O projeto reforçou a disposição do U2 em transformar cada turnê em um conceito visual completo, no qual a tecnologia não aparece apenas como suporte para o show, mas como parte central da narrativa.

2008 — U2 3D

Crédito da imagem: U2.com

Em 2008, o grupo também foi pioneiro em outros formatos de exibição com U2 3D, filme-concerto ligado à turnê Vertigo. A produção levou a experiência ao vivo da banda para os cinemas em formato 3D digital, aproximando o espetáculo de palco da linguagem cinematográfica.

O lançamento mostrou que o U2 já enxergava o show como uma experiência capaz de circular para além das arenas, explorando novas formas de presença diante do público.

2009 — U2 360° no YouTube

Crédito da imagem: U2gigs.com

Em 2009, durante a turnê U2 360°, o show no Rose Bowl foi transmitido ao vivo pelo YouTube para milhões de espectadores em diferentes partes do mundo.

A iniciativa antecipou uma tendência que se tornaria cada vez mais comum nos anos seguintes: grandes artistas usando plataformas digitais para ampliar o alcance de apresentações ao vivo e transformar um concerto em evento global.

2014 — Songs of Innocence no iTunes

Crédito da imagem: Arquivo/Apple/U2

Essa relação com o digital também teve momentos controversos. Em 2014, o álbum Songs of Innocence foi distribuído gratuitamente a usuários do iTunes em parceria com a Apple, mas a ação gerou reação negativa por ter aparecido automaticamente nas bibliotecas de muitos ouvintes.

O episódio se tornou um caso emblemático sobre os limites entre alcance, inovação e consentimento do público no ambiente digital. Mais do que um erro isolado, ele mostrou como estratégias de distribuição precisam considerar não apenas a tecnologia disponível, mas também a forma como o público deseja receber música.

2023-2024 — U2:UV Achtung Baby Live at Sphere

Crédito da imagem: Reprodução/Internet

Mais recentemente, o U2 voltou a associar sua imagem a uma experiência tecnológica de grande escala com U2:UV Achtung Baby Live at Sphere, em Las Vegas.

A residência colocou a banda no centro de uma nova fase dos shows imersivos, com recursos de imagem, som e escala pensados para transformar a apresentação em uma experiência sensorial completa. O projeto reforçou a conexão histórica do grupo com palcos grandiosos, vídeos, instalações visuais e tecnologia de ponta.

2024 — V-U2

Crédito da imagem: U2.com

A temporada na Sphere também deu origem ao filme imersivo V-U2, criado para explorar os recursos tecnológicos do espaço, incluindo tela de altíssima resolução, som imersivo e assentos hápticos.

Com isso, o U2 ampliou novamente a ideia de filme-concerto, aproximando música ao vivo, cinema, instalação visual e experiência tecnológica.

2026 — Sulinna Ong e a nova fase digital

Nesse contexto, a chegada de Sulinna Ong ganha mais peso. O U2 está incorporando à sua gestão uma profissional capaz de dialogar com uma tradição que sempre marcou a banda: transformar cada nova fase em uma experiência de música, tecnologia, imagem e relacionamento com o público.

A contratação, portanto, dá continuidade a um histórico de inovação que acompanha a banda há décadas — agora com foco ainda maior em plataformas digitais, curadoria, estratégia de lançamento e novas formas de conexão com os fãs.