Petróleo recua após atingir maior alta em quatro anos com preocupação de uma escalada da guerra entre EUA e Irã
Por Nicole JaoNOVA YORK, 30 Abr (Reuters) - Os preços globais do ?petróleo recuaram após atingirem o maior nível em quatro anos, mais de US$126 por barril, nest...
Por Nicole Jao
NOVA YORK, 30 Abr (Reuters) - Os preços globais do ?petróleo recuaram após atingirem o maior nível em quatro anos, mais de US$126 por barril, nesta quinta-feira, devido a preocupações de que a guerra entre os EUA e o Irã poderia levar a uma interrupção prolongada do fornecimento no Oriente Médio, o que poderia causar danos mais profundos à economia global.
Os mercados de petróleo têm passado por um período de alta volatilidade desde o início do conflito no Oriente Médio, no final de fevereiro.
Os futuros do petróleo bruto Brent , referência global, subiram até US$126,41 por barril, o pico desde 9 de março de 2022, mas fecharam em queda de US$ 4,02, ou 3,41%, para US$114,01. O contrato pronto para entrega em junho expirou nesta quinta-feira. O contrato mais ativo de julho fechou em território ?positivo, a US$ ?110,88, com alta de US$0,44, ou 0,4%.
Os contratos ?futuros do petróleo ?WTI fecharam em queda de US$1,81, ou 1,69%, a US$105,07. O contrato atingiu US$110,93 mais cedo, o maior valor desde 7 de abril.
Ainda assim, ambos os índices de referência estavam a caminho de seu quarto mês de ganhos, refletindo temores de que o conflito com o Irã possa sufocar o fornecimento global de petróleo nos próximos ?meses.
A queda nos preços em relação às altas intradiárias não teve um catalisador óbvio.
O declínio ?não pareceu estar relacionado a um desenvolvimento específico e refletiu o aumento da volatilidade no mercado desde o início ?da guerra com o Irã, disse Tamas Varga, da PVM.
Duas grandes ?ordens de venda para o Brent ?de ?junho foram negociadas no início da sessão, segundo dados da LSEG. Outros analistas disseram que os preços podem ser voláteis antes do vencimento dos contratos.
'É uma bagunça... é muito difícil calcular e tentar criar uma visão fundamental sobre isso', disse o analista Ole ?Hvalbye, da SEB Research.
'O mercado está percebendo que pode ter havido uma reação um pouco exagerada ontem', disse Phil Flynn, analista sênior do Price Futures Group, observando que os fundos de hedge estavam vendendo posições para garantir ganhos no final do mês.
Outros observaram que o recuo da força do dólar nesta quinta-feira também pressionou o petróleo para baixo.
O iene japonês ?subiu 3%, a maior alta em um dia em mais de três anos, nesta quinta-feira, após avisos das autoridades de Tóquio de que uma intervenção para sustentar a moeda, bem como ações em outros mercados, incluindo o de energia, poderiam ser iminentes. O salto do iene fez com que a moeda norte-americana caísse, no caminho de sua maior queda em um dia em relação ao iene desde agosto passado.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deveria receber um briefing nesta quinta-feira sobre os planos de uma série de novos ataques militares contra o Irã para obrigá-lo a negociar o fim do conflito, ?disse uma autoridade dos EUA à Reuters.
O Irã disse que responderia com 'ataques longos e dolorosos' contra as posições dos EUA se ?Washington renovasse os ataques, e também reafirmou seu controle ?sobre o Estreito de Ormuz, complicando os planos dos EUA para uma coalizão para reabrir a hidrovia.
O preço do Brent dobrou desde o início do ataque israelense-norte-americano ao Irã, em 28 de fevereiro, e o petróleo bruto West ?Texas Intermediate, referência nos EUA, subiu cerca de 90% devido ao fechamento efetivo ?do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um ?quinto do petróleo e do ?gás ?natural liquefeito do mundo.
(Reportagem adicional de Alex Lawler, Stephanie Kelly, Dhara Ranasingh, Colleen Howe, Trixie Yap, Florence Tan e Jonathan Saul)