Macron e Starmer realizam cúpula internacional sobre reabertura do Estreito de Ormuz sem presença dos Estados Unidos
Macron e Starmer têm liderado esforços internacionais para aumentar a pressão diplomática e econômica sobre o Irã. Starmer acusou o país de “manter a economia m...
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Macron e Starmer têm liderado esforços internacionais para aumentar a pressão diplomática e econômica sobre o Irã. Starmer acusou o país de “manter a economia mundial refém”. Já o presidente dos EUA, Donald Trump, elevou a tensão ao anunciar um bloqueio retaliatório contra portos iranianos. Michel Euler/AP Os líderes da França e do Reino Unido reuniram dezenas de países, sem a presença dos Estados Unidos, nesta sexta-feira (17) para avançar em planos de reabrir o Estreito de Ormuz, rota estratégica de petróleo bloqueada pela guerra entre EUA, Israel e Irã. Acompanhe em TEMPO REAL as notícias sobre a guerra no Irã O encontro em Paris faz parte de uma tentativa de países que ficaram à margem do conflito de reduzir os impactos de uma guerra que não iniciaram nem integram, mas que abalou a economia global. Desde o início do confronto, em 28 de fevereiro, o Irã fechou, na prática, o estreito por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial. Os Estados Unidos não participam do planejamento da chamada Iniciativa de Liberdade de Navegação Marítima no Estreito de Ormuz. Em publicação na rede X antes da conferência, o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que a missão para garantir a segurança da navegação será “estritamente defensiva”, restrita a países não envolvidos no conflito e executada “quando as condições de segurança permitirem”. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que enfrenta dificuldades políticas internas, foi recebido por Macron no Palácio do Eliseu na tarde desta sexta. Macron e Starmer têm liderado esforços internacionais para aumentar a pressão diplomática e econômica sobre o Irã. Starmer acusou o país de “manter a economia mundial refém”. Já o presidente dos EUA, Donald Trump, elevou a tensão ao anunciar um bloqueio retaliatório contra portos iranianos. “A reabertura incondicional e imediata do estreito é uma responsabilidade global, e precisamos agir para que energia e comércio voltem a fluir livremente”, disse Starmer antes da reunião. LEIA TAMBÉM: Libaneses deslocados pela guerra voltam para casa e festejam cessar-fogo; VÍDEO Veja os vídeos que estão em alta no g1 Planejamento militar em andamento França e Reino Unido também lideram reuniões de planejamento militar, em um movimento que lembra a “coalizão de voluntários” criada para garantir segurança à Ucrânia em caso de cessar-fogo. O porta-voz militar francês, coronel Guillaume Vernet, afirmou na quinta-feira (16) que a missão ainda está “em construção”. Segundo o governo francês, os países participantes devem contribuir “cada um de acordo com suas capacidades”. As opções para garantir a passagem segura dependerão da situação de segurança após um eventual cessar-fogo duradouro. O objetivo é assegurar que navios possam atravessar o estreito sem risco de ataques. Para isso, podem ser necessários recursos como inteligência, remoção de minas, escoltas militares e canais de comunicação com países costeiros, segundo um funcionário que falou sob condição de anonimato. Especialistas avaliam que a atuação da coalizão deve se concentrar mais na retirada de minas e na criação de sistemas de alerta para ameaças marítimas do que em escoltas armadas a petroleiros. “Seria preciso um número enorme de embarcações para isso, algo que ninguém tem”, disse Sidharth Kaushal, pesquisador do Royal United Services Institute. A especialista em Irã Ellie Geranmayeh afirmou que países europeus podem ter papel relevante na remoção de minas. Segundo ela, essa atuação seria mais adequada do que uma presença direta dos EUA, que poderia aumentar o risco de confrontos com o Irã. Dezenas de países participam das discussões O Reino Unido discute o uso de drones de caça-minas, que poderiam ser lançados a partir do navio RFA Lyme Bay, em uma missão na região. A guerra também expôs a redução da capacidade da Marinha britânica, que enviou apenas um grande navio de guerra, o destróier HMS Dragon, ao Mediterrâneo oriental. Já a França, que possui o maior poder militar da União Europeia, deslocou um porta-aviões nuclear, além de um navio com helicópteros e várias fragatas. Mais de 40 países participaram de reuniões diplomáticas ou militares lideradas por França e Reino Unido nas últimas semanas, embora um número menor deva se comprometer com recursos militares. Cerca de 30 países devem participar das conversas desta sexta, incluindo nações do Oriente Médio e da Ásia. A lista não foi divulgada. O chanceler alemão Friedrich Merz e a premiê italiana Giorgia Meloni são esperados presencialmente, enquanto outros líderes devem participar por vídeo. A operação também é uma resposta às críticas de Trump, que acusou aliados de não se juntarem à guerra e afirmou que a reabertura do estreito não é responsabilidade dos EUA. O presidente chamou aliados de “covardes”, disse que a OTAN “não estava presente quando precisamos” e criticou o Reino Unido, afirmando: “Vocês nem têm uma Marinha”. Para analistas, países europeus e aliados como o Canadá podem tentar demonstrar capacidade de garantir segurança internacional de forma independente dos EUA. Ainda assim, permanece a dúvida sobre quantos países têm recursos disponíveis para contribuir com a operação.